<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2523321080814272245</id><updated>2011-09-27T20:59:07.062-07:00</updated><title type='text'>Shirley Luisa x Luisa Bovary</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://preludiosainda.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://preludiosainda.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16588478852271592517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2523321080814272245.post-8354089928299538327</id><published>2009-05-07T07:41:00.000-07:00</published><updated>2009-05-07T07:42:27.805-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tropeçar, tropegar. Ofego. Res-fo-le-gar. É que não se pode desligar a tomada estalando os dedos. Simplesmente não se pode. Esse sou eu. Não este. Talvez aquele. Sempre distante. Ou será iminente? Importa apenas dizer-me em pas de deux. O instante preciso em que o bailarino, em plié, contrai os músculos do braço e tensiona as mãos contra a cintura delicada da bailarina. O momento em que ela, percebendo, se prepara para o salto. A precisa e imperceptível pausa que prepara para o grande sauté. Ocorre que o bailarino, quem controla, sustenta e no entanto não salta, sou eu. A cintura delicada, o deixar-se levar são também meus. Flutuo e me anteparo. Seria a imagem simploriamente bela, não fosse incoerente. Exceto pelo deixar-se levar e deter. Flutuar? Élever? Dessous! Sob. Sob mim mesmo? L'abîme. Mas não existe este termo na dança: me jogo mesmo, sem a menor delicadeza. Foi de tanto pensar naquele rosto. Aquele de cuja fisionomia na realidade não me lembro. Tenho pensado mais na cintura. Apertei, sim. Quase estrangulei, até. Esgana-me principalmente a lembrança da bunda. Do momento em que ela se abaixou para pegar os óculos, acidentalmente caídos no chão, e a camisola subiu: a dobrinha sempre me deixou fissurado. Deve depender da firmeza das coxas. E certamente sustém o empinado da bunda. Talvez eu sentisse de fato algo por ela. Não. Pela bunda, sem dúvida. Mas por ela, quero dizer. Ou de outra forma não lhe teria esquecido o rosto. Ou foi precisamente porque não senti, apenas depositei nele as expectativas ancestrais, que me esqueci. Ocorre com certa freqüência. E contudo é sempre num plié imperceptível que alguma prega se revela. Talvez eu precise deixar de me sentir atraído pela ressaca. Me jogo sem a menor delicadeza. E sempre o que fica são alguns frangalhos de mim. Penso sempre em minha amiga. Sofisticada, mas nunca me atraiu. Talvez porque se esconda sob um rosto vulgar. Parou de assistir a comédias românticas por acreditar estar se tornando uma Bovary pós-moderna. Histérica, depressiva. Matou a sofisticação e ficou com o rosto vulgar. Parou de olhar para as estrelas e finge que não está na sarjeta. Culpa daqueles incensos malditos, que traz à minha casa quando estou em frangalhos. E precisando de aulas de ioga, benzinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2523321080814272245-8354089928299538327?l=preludiosainda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://preludiosainda.blogspot.com/feeds/8354089928299538327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2523321080814272245&amp;postID=8354089928299538327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/8354089928299538327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/8354089928299538327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://preludiosainda.blogspot.com/2009/05/tropecar-tropegar.html' title=''/><author><name>Lu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16588478852271592517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2523321080814272245.post-2223980018632762684</id><published>2009-02-16T17:43:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T17:46:35.391-08:00</updated><title type='text'>eu estava querendo me compensar de mim mesma</title><content type='html'>Sete horas da manhã de uma segunda-feira, eu ia andando pela rua Teodoro Sampaio e olhava distraída edifícios, nesga de céu, pessoas, sem pensar em nada. Distraída? Não, eu estava apaixonada e me sentia a mãe do mundo. Eu me sentia livre, a mãe de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sentia carinho, um carinho desinteressado e clariceano por aquela rua tão descuidada e gelada, mas que era minha. Por aquelas pessoas que, aquecidas em suas jaquetas de lã xadrez, tomavam café no boteco da esquina enquanto esperavam por seus ônibus. Eu me sentia irmã das mulheres de cabelos molhados que se encolhiam de frio a cada rajada. Eu me comovia com as palavras de protesto pichadas nas paredes. E queria conversar com cada um daqueles candidatos que se amontoavam em uma fila na frente dos recursos humanos de um supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi quando se aproximou de mim um imenso mendigo. Imenso porque sua roupa se misturava ao lixo e ao papelão que carregava – fazendo-lhe parecer enorme, alto, gordo, e seu cabelo de espiga permanentemente eriçado. Ele fedia. De lá de longe. Igual a um mendigo que se sentara ao meu lado uma vez: sem coragem de me levantar, eu fiquei suportando o seu cheiro por quinze minutos. E o fedor ficou impregnado em mim. Por dois dias, eu senti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se aproximou de mim e me pediu um cigarro. Eu não deixaria de dar. Com todas as necessidades por que passava aquele homem – evidentes em seu fedor -, como poderia tolhê-lo ainda de um cigarro? Como poderia ser eu, mãe da Terra, a responsável por mais essa falta? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cigarro que eu estava fumando já estava quase no fim. Eu não poderia dar justamente esse – é o que estava aceso e faria tudo aquilo terminar mais rapidamente. Mas eu não poderia dar meio cigarro. Aquele homem merecia um cigarro inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu dei um cigarro inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me pediu o isqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como posso emprestar meu isqueiro para um homem desses? Como permitir que ele toque algo que eu toco o tempo inteiro? Como aceitar que ele coloque sua mão fedida em um objeto que posso, distraidamente, colocar em minha boca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estendi a minha mão, segurando o isqueiro, para acender o cigarro inteiro dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi quando veio mais uma rajada. Aquela mesma pela qual eu estava apaixonada, que fazia as mulheres de banho tomado se encolherem. E que agora impedia o fogo de se acender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi quando ele colocou a mão – suja, fedida, encardida – sobre a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entrei em choque; ele se foi, com um cigarro inteiro e aceso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu subi no ônibus, não sabia o que fazer. Eu queria coçar meu olho, mas minha mão estava suja. Eu queria passar a mão no cabelo, mas minha mão estava fedida. Eu queria dormir, mas aquele mendigo imenso vinha me apavorar com seu cheiro perturbador. A cada vez que ele aparecia, eu vacilava: devo dar um cigarro a este homem? Devo. Mas ele vai me sujar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu sono, eu compreendi: eu havia pisado em um enorme rato morto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2523321080814272245-2223980018632762684?l=preludiosainda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://preludiosainda.blogspot.com/feeds/2223980018632762684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2523321080814272245&amp;postID=2223980018632762684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/2223980018632762684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/2223980018632762684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://preludiosainda.blogspot.com/2009/02/eu-estava-querendo-me-compensar-de-mim.html' title='eu estava querendo me compensar de mim mesma'/><author><name>Lu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16588478852271592517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2523321080814272245.post-720651456818953477</id><published>2009-02-10T17:15:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T17:19:33.201-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ao contrário do que eu sempre pensei, existe alguma parcela de razão na loucura da menina que não podia ouvir falar em pizza de rúcula com tomate seco: ela abria o maior berreiro e começava a vomitar, porque se lembrava do namorado que a deixara por outra pessoa. É um exagero, sim. E cruelmente cômico. Mas ouvir alguém dizer que é este o sabor preferido pode doer mais que a lembrança da troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardadas as devidas proporções neuróticas, é uma situação idêntica à comparação entre as dores que eu sinto ao me lembrar daquela cama de hospital em que minha avó ficou antes de morrer e ao me deparar com uma coruja de cerâmica em feiras de artesanato. Naturalmente, pensar na UTI é terrível – e eu choro sempre que sinto cheiro de éter. Mas saber que não existe mais a possibilidade de comprar corujas de presente para ela é algo esmagador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mesma transferência de dimensões, que certamente todos conhecem, acontece em momentos – outros, bem diferentes – que seriam pouco solenes. Quando eu e minha tia nos sentamos para acessar os sites que minha avó havia anotado em um caderninho vermelho (ela desconhecia a ferramenta “favoritos” do navegador), demos início, não a uma bisbilhotagem mesquinha, mas a uma espécie de cerimônia: como se pudéssemos, naquelas páginas bastante prosaicas da internet (a maioria, sites de compras), recuperar algo da vovó que não fosse apenas a saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi frustrante navegar naqueles sites. Não tiramos nada de lá, a não ser duas confirmações: a primeira, vovó não dominava as ferramentas de computador, embora fosse dos remetentes mais freqüentes na minha caixa da entrada; a outra, ela adorava comprar: sapatos, jeans, bolsas, bijuterias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós duas paramos, então, meio atônitas, encarando aquele caderninho: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cadê aquilo que você ia nos revelar?&lt;/span&gt; Só depois de um tempo fui me lembrar de uma outra cena, ocorrida há pelo menos dois anos. Meu pai havia encontrado um papel com algum rabisco da vovó. Ela ainda estava ótima: lúcida, animada, sem preocupações gritantes. Entretanto, ele olhou para o pedaço de folha e ameaçou chorar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha a letrinha da vovó (que era mesmo linda): toda tremida. Ela está ficando velhinha, filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que eu cedesse à vontade de arrancar o caderninho da minha tia e pegá-lo para mim, me lembrei do que havia sentido segundos antes. Ele também não me traria nada. Assim como não vão trazer a sandália vermelha que eu comprei para ela depois que ela se apaixonou por uma minha, igual, mas branca, ou o sapato maravilhoso que ela comprou na loja a que fomos juntas. Tudo isso está comigo. Os sites foram armazenados no meu histórico. Mas a vovó não está mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2523321080814272245-720651456818953477?l=preludiosainda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://preludiosainda.blogspot.com/feeds/720651456818953477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2523321080814272245&amp;postID=720651456818953477' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/720651456818953477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/720651456818953477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://preludiosainda.blogspot.com/2009/02/ao-contrario-do-que-eu-sempre-pensei.html' title=''/><author><name>Lu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16588478852271592517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2523321080814272245.post-8168609849152166686</id><published>2009-02-09T19:16:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T05:52:57.415-08:00</updated><title type='text'>Asas de morcego, cabelo de serpente</title><content type='html'>Olívia, em tom de benevolência dissimulada, tentava explicar mais uma vez para Otávio, o querido – não interessa o que acontece lá fora. Mas ele era muito branco para compreender. Teve que vir o tom professoral:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe quando você está caminhando no gelo e um pontinho bege chama sua atenção? Você começa a escavar. E encontra um cadáver. Não é intuitivo, porque está ali, você vê. Mas exige um choque na sua percepção: algo bastante violento, que revele todo um novo mundo. Um corpo podre – ou quase, porque foi preservado pelo gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nunca entendeu nada de semiótica. Às vezes precisava de ajuda até para rir das tirinhas do jornal – apesar de seu doutorado em processos de dissimilação na língua inglesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrou no jogo e tentou um tom de mais candura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já viu aquele passatempo de criança? Elas pintam um quadro com giz de cera e depois passam tinta preta por cima. A arte consiste em ir riscando a cobertura, para o desenho se formar com o colorido que vai se revelando. A sensação de tirar a primeira lasca é incomparável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otávio esboçou um olhar de compreensão. Diante daquele sorriso ingênuo, contudo, Olívia se deu conta de que a primeira metáfora correspondia melhor ao decoro do momento. Trocou morte por corte e tentou mais uma vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 1994, Rede Globo, Rubens Ricupero e seu “não tenho escrúpulos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Credo, Otávio! Vai ficar me olhando com essa cara de morto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que estou pensando: ele não sabia que estava sendo observado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2523321080814272245-8168609849152166686?l=preludiosainda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://preludiosainda.blogspot.com/feeds/8168609849152166686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2523321080814272245&amp;postID=8168609849152166686' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/8168609849152166686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/8168609849152166686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://preludiosainda.blogspot.com/2009/02/asa-de-morcego-cabelo-de-serpente.html' title='Asas de morcego, cabelo de serpente'/><author><name>Lu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16588478852271592517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2523321080814272245.post-7411691383996092879</id><published>2008-06-29T10:09:00.000-07:00</published><updated>2008-06-29T10:13:44.301-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não, isto não começou direito. Ocorre que as últimas notícias das meninas davam conta de uma romântica viagem a Paris (Bovary) e de planos aventureiros pela América Latina (Shirley). E eis que elas surgem, aqui, se digladiando novamente. Mas não disseram por quê.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sem notar que as decepções podem apenas servir para restituir a nós a importância do acaso, Bovary tombou após uma breve e intensa decepção. Sim, ela estava na cidade em que mais desejava viver, mas soube apenas ver penumbra e negrumes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Shirley, tocada pelo discurso de um amigo que dizia não se importar com a vida do espírito quando encontrava a carne à sua frente, lembrou-se das aulas que vinha dando sobre continuidade e descontinuidade e, num momento epifânico, entendeu – sentiu – o significado da pletora de Bataille.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bovary, quando procurava os comprimidos em sua mala, esbarrou em um livro que fora responsável, aos 16 anos, pelo fortalecimento de sua imaginação. Shirley saíra para comprar cigarros e, na vitrine de um sebo, deparou com o mesmo livro – cuja leitura, por censura ao folhetim, não era capaz de admitir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“A ponte para o sempre”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A romântica compreendeu que a grandiloqüência de Paris nunca poderia salvá-la da necessidade de se sentir em casa – algo que só viria, de fato, se retornasse à província. Shirley percebeu que estava, sim, em busca de algum sentido – ainda que ele se desse apenas diante de um conjunto bastante abrangente de homens.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ganharam sentido, então, os sonhos da noite anterior: as mil faces que se ofereciam para compor a feição daquele único e especial homem – um verdadeiro cortejo; as personagens se oferecendo, com seu gesto mais peculiar, para se encaixar naquele território nebuloso, sem desenho específico, onde caberiam todos os movimentos, sensações e sonhos do mundo – e os inúmeros rostos tão diferentes, mas ao mesmo tempo compostos por traços familiares e comuns – fazendo vã qualquer tentativa de compreender por que uns são mais especiais que os outros, ou de entender quais tipos de força são capazes de exercer maior atração. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando obteve o sentido exato de sua busca, Shirley reconheceu que não havia escapado ao sonho de Bovary. Apenas procurava concretizá-lo na vivência com um número mais extenso de pessoas. E Bovary sentiu-se aliviada ao interpretar por que, então, não poderia se lembrar da feição exata daquele último homem. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Nele ela havia projetado e, de certa forma, encontrado, os gestos perfeitos que Shirley nunca deixaria de colecionar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Percebeu-se, então, que aqui mesmo no Brasil elas haveriam de se conciliar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2523321080814272245-7411691383996092879?l=preludiosainda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://preludiosainda.blogspot.com/feeds/7411691383996092879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2523321080814272245&amp;postID=7411691383996092879' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/7411691383996092879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/7411691383996092879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://preludiosainda.blogspot.com/2008/06/no-isto-no-comeou-direito.html' title=''/><author><name>Lu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16588478852271592517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2523321080814272245.post-5933139424835779490</id><published>2008-06-26T19:32:00.000-07:00</published><updated>2008-06-26T20:15:43.266-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;Passou boa parte da manhã na cama – entre o sono e a vigília, como quer a Maga, ou entre a memória e o esquecimento, observaria o Mestre. Eu diria largada. Ou derrubada, o que é quase o mesmo, pelo Porto da noite anterior e por pesadelos. Sonhou que colhia papoulas nas colinas gregas. Ao abrir os olhos, pensou ter visto a mão de um homem, mas era o travesseiro. Ou um palhaço. Luvas brancas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;Um ano e oito meses que o narrador havia posto um fim escabroso à sua ficção menos crível. O hipotético um ano do episódio de maior devaneio em sua história. Cinco meses que ela havia posto um fim desajustado a esse capítulo denso, embora breve, de sua história. Algumas semanas do fim definitivo que finalmente impusera, contra a vontade do narrador, à primeira ficção, utópica e esburacada. E, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;little did she know&lt;/span&gt;, a algumas horas de dois &lt;span style="font-style: italic;"&gt;turning points&lt;/span&gt; do folhetim mais recente: duas inflexões incontigentes, duas dobras opostas. Que se anulariam. Mas talvez não para sempre. E que, se não houvesse, não teriam acabado com a aura inebriante e equivocada das semanas destinadas ao trio maravilha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Num breve intervalo de esquecimento, era Dom Quixote, rasgando a tela do cinema, ovacionado pelas crianças, e perdendo para sempre Dulcinéia. Sentiu-se então um pouco Shirley, considerando tudo aquilo pura baboseira. Em seguida, a mão doce de Bovary lhe fez um breve cafuné, restituindo-lhe aos sonhos. Os sonhos. E sonhou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Por ter sonhado, na manhã seguinte se sentia mais naufragada no porto. Como de fato estava. Virou Dulcinéia: acorrentou Dom Quixote e lhe deu um golpe com a espada desembainhada de sua ilharga. Se seu fígado estava exposto, o dele também ficaria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2523321080814272245-5933139424835779490?l=preludiosainda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://preludiosainda.blogspot.com/feeds/5933139424835779490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2523321080814272245&amp;postID=5933139424835779490' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/5933139424835779490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2523321080814272245/posts/default/5933139424835779490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://preludiosainda.blogspot.com/2008/06/passou-boa-parte-da-manh-na-cama-entre.html' title=''/><author><name>Lu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16588478852271592517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
